28 de julho de 2008
A PRINCESA GIULLIA E O TOCADOR DE FLAUTAS
Sera que os contos de fadas sao impossiveis de acontecer? Sera que a realidade é tao crua e fria ao ponto de nao ter traços de sonhos? Talvez esta historia te prove o contrario.... Pois todo amor verdadeiro tem um pouco daquelas historias que quando crianças, conhecemos! Aos novos e antigos leitores, bem vindos! A leitora do meu coracao: AMO você!
Abaixo seguem os capitulos enviados por e-mail à Giullia, todos em ordem! Desculpem a falta de padrao em paragrafos e etc, a formatacao de texto do e-mail é um pouco diferente da do blogspot, mas da pra entender! =oP
Ah, todo inicio mês tem capitulo noovo! =D Nao deixem de comentar
Capitulo I
Como algo poderia alegrar e assustar ao mesmo tempo? Como aquele ser foi capaz de levar seu coracao tao rapido? O tocador de flauta nao sabia sequer o nome da princesa, ele era um andarilho...andava de reinos em reinos em busca de aventuras e amores! Mas algo lhe dizia que aquela princesa iria mudar o destino dele, q de agora em diante, os acordes de sua flauta nao seriam mais os mesmos! Resolveu entao permanecer no reino, o nome do reino? Sagiano! A terra encantada do SAG. Tratou logo de bolar um plano para se manter no reino,assim ele poderia se sustentar e conhecer o maior numero de pessoas no local, podendo entao recolher o maior numero de informacoes sobre aquela misteriosa figura.
O tocador de flautas entao passou a trabalhar animando as festas do reino com sua musica, animava as reunioes dos camponeses da terra do SAG...Logo fez mtus amigos, seja pela sua bela musica, seja pela sua sabedoria, uma vez q alem de animador ele passou a trabalhar de conselheiro dos plebeus. Dava conselhos sobre o amor, sobre astrologia e sobre o tempo de colheita. As criancas tb o adoravam, ele era um eximio contador de historias! Conhecia todas as lendas dos reinos q ja havia passado, sabia tudo sobre herois e monstros, sabia td sobre as grandes aventuras de todos os cantos do planeta.
No reino Sagiano, quase nunca se via a familia real e pouco se sabia sobre eles. Sabia-se da bondade do Rei, da sua benevolencia e do seu cuidado com seu povo, mas pouco se sabia do q se passava no castelo. A jovem princesa Giullia ainda nao tinha sido apresentada ao reino, ninguem nunca a tinha visto, ela era proibida de conviver com os plebeus ateh o dia em q fosse prometida em casamento.Era uma bela moça, passou a vida aprendendo como ser uma princesa leal e digna do reino Sagiano.Viajava com seu pai, conhecia outros reinos, o unico reino q nao conhecia era o proprio! Pois as leis eram claras, ela soh seria apresentada ao seus suditos quando fosse prometida em casamento.
Engana-se quem achava que a princesa Giullia era uma florzinha de estufa, ela era destemida(soh tinha medo de filme de terror) e dona do seu destino, adorava a ideia de cuidar de um reino tao valoroso como a terra do SAG, por isso sempre aceitou sua educacao para ser uma princesa, mas nunca aceitou a reclusao! Toda semana ela fugia do castelo e ia passear no bosque mais lindo do reino, seu universo particular. Onde poderia ficar com seus pensamentos, deitar na grama e olhar o ceu, onde ela poderia esquecer q era uma princesa e ser somente Giullia. Tomava sempre cuidado para nao ser vista, realmente nunca foi! Ateh q um dia no bosque, ela escutou um som bonito, a musica vinda de uma flauta.
O tocador de flautas logo descobriu q nao obteria informacoes sobre a bela moça q ele tinha visto no bosque. Pelos trajes e pelo jeito de agir ele havia notado q ela era uma princesa, mas nao imaginava q existia tamanho misterio em torno dela.... Ninguem na terra do SAG tinha tido qualquer contato com a herdeira do trono. O tocador de flautas, mesmo sendo um estranho no reino, era o unico q tinha estado proximo dela.Talvez por isso ele resolveu nao comentar com ninguem q tinha visto a princesa no bosque, as pessoas certamente iriam murmurar sobre o caso e isso poderia trazer problemas para ele e ate para ela.
Nao demorou mtu para ele supor q a princesa saia escondida, o sabio tocador de flautas passou a esperar a princesa no bosque todos os dias, tentando não ser visto. Com alguns dias de observação, ele concluiu q a princesa aparecia no bosque no mesmo dia e no mesmo horário, uma vez por semana... Ele absorveu o maximo sobre ela estudando seu jeito. Tinha dias q ela estava serena e tranqüila, mas sem nunca perder seu lado compenetrado. O tocador de flautas havia aprendido com o tempo a ler as pessoas, a saber tudo sobre elas com poucas informações, alguns achavam q ele era um mago capaz de ler pensamentos, uma vez q ele era capaz de advinhar oq os outros queiriam apenas pela observação, mas a princesa Giullia era diferente! Ela era uma grande interrogação para ele! Mais do q nunca ele tinha q se aproximar desta mulher...! Ele ja estava apaixonado sem mal ter escutado sua voz, sem ter sentido seu calor, sem ter provado seu beijo.
Mas como se aproximar? Um passo em falso e ela se assustaria, qualquer erro e ele nunca mais iria voltar a ve-la! Numa ideia genial, resolveu usar da musica para atrai-la, passou a tocar sua flauta no dia e horario q a princesa aparecia no bosque. A princesa Giullia estranhou o som da flauta, desde pequena freqüentava o bosque e conhecia cada um de seus sons, do canto dos pássaros ao barulho dos rios. Das primeira s vezes q escutou o som da flauta achou estar ouvindo coisas e não deu atenção... Mas toda vez q ela voltava ao bosque a musica persistia, resolveu então procurar de onde vinha o som. Seguiu a musica ateh chegar perto da cachoeira do bosque, então avistou um rapaz sentado numa pedra, tocando a flauta, ele parecia não ter notado sua presença. A princesa teve medo de se aproximar, não podia falar com ninguém do reino, não poderia ser vista fora dos domínios do castelo, resolveu então recuar. Porem no primeiro passo para trás a musica parou e de forma branda o rapaz disse:
- Minha musica incomoda?
A princesa suou frio, atônica, não sabia oq dizer. O rapaz prosseguiu:
- O que temes Alteza? um simples tocador de flauta iria te fazer mal?
A princesa então respondeu:
- Sabes quem eu sou?
-Sei mais do q imaginas....
- Então deverias saber q não deves falar comigo.
-Vejo alem do seu trono princesa, eu sou capaz de ver seu coração.
A herdeira da terra do SAG ficou sem jeito diante do modo de falar do tocador de flauta, todos a tratavam com muitas honrarias, ele era a primeira pessoa q a tratara como uma alguém normal. Isto fez ela se sentir mais a vontade na presença dele. Ela então indagou:
-Mal me conheces, como podes saber o que se passa no meu coração?
O tocador de flautas se aproximou, o coração da princesa disparou, ele ficou de fronte a ela e disse:
- Os olhos são o espelho do coração, já conheço seu olhar, assim como conheces cada palmo deste bosque...
- Como conheces meu olhar?
- Converso com as arvores, com os pássaros e com os rios deste lugar, eles conhecem seu olhar mais d q ninguém não é mesmo?
- Deveras audacioso és! Como podes afirmar q falas com a natureza? Afinal, oq es? Um mágico?
- Não é pra tanto.... Digamos que eu conheço a mágica necessária para abrir as portas do seu coração, por isso digo q vejo alem da suas vestes de princesa, que vejo mais que sua beleza, por isso eu afirmo que sei das verdades do teu coração.
- Estas enganado, nem eu mesmo as conheço.
- Gostarias de conhece-las?
- .... Como?
- Na sua próxima visita ao bosque, venha nesta cachoeira e eu, o tocador de flautas, te contarei.
A princesa concordou com a cabeça, fez a reverencia real e saiu apressada, deveria estar no palácio a tempo de não notarem sua ausência.
Capítulo II
Amanhece no castelo real, a princesa Giullia já acordada em seu leito tem preguiça de se levantar... “Gostaria de dormir uma semana inteira.” Pensa ela, “Para o tempo passar logo!” Já se passaram 3 dias desde o encontro com o tocador de flautas.
Sua ama Naninha entra apressada no quarto,pensando nos mil afazeres que tem a cumprir em mais um dia de trabalho. Ela abre a cortina da janela do quarto em um movimento só, a luz entra o ofusca a visão de Giullia.
- Minha menina, o que fazes ainda deitada?
- Porque o tempo passa tão devagar Naninha?
- O tempo tem seu próprio ritmo, ele é senhor de nossas vidas, aprenda com ele a regular sua ansiedade.
- Deveríamos poder controlá-lo, isso sim!
- Amanhecestes hoje querendo brincar de Deus? Porque queres adiantar o tempo? Já sei, não podes esperar para conhecer seu noivo não é? Já lhe disse minha pequena, na hora certa seu pai irá escolher o rapaz mais valoroso de todos os reinos, tenha paciência.
A idéia de se casar sem amor nunca pareceu tão desconfortável como agora, pela primeira vez seu coração havia prestado atenção em algo fora do seu mundo, de repente seu destino de princesa pareceu absurdo e sem sentido. A princesa Giullia suspirou e respondeu...
-Não é isso Naninha, gostaria de ir ao bosque!
-Minha menina....! Você sabe que eu não gosto disso, acoberto suas fugas porque sei que não tem jeito, que querendo ou não seria impossível de impedir você de ir, desde pequena você sempre foi tão levada! Mas já não basta uma vez por semana?
- Queria que esta semana voasse!
A ama, que conhecia Giullia desde que nasceu, notou um brilho diferente em seu olhar... Definitivamente, tinha acontecido algo na última visita dela ao bosque.
-Giullia! O que aconteceu? Alguém lhe viu? Meu Deus! Alguém do reino lhe viu? Quantas vezes eu te avisei? Sabia que isso não ia dar certo! Aiaiaiaiaiai já vejo minha cabeça rolando no chão!
-Calma Naninha, ele é diferente! Não deve ser habitante da terra do SAG, ele toca flauta! Já ouviu falar de alguém neste reino que toca flauta? Nunca ouvi falar de ninguem com este habilidade por estas terras
- O tocador de flautas? Ele viu você???? Meu Deus, minha cabeça vai virar escoro de porta! Ele é um forasteiro no reino, ninguém sabe quem ele é ao certo! Anima festas com a flauta e dá conselhos aos camponeses, mas ninguém sabe nem o seu nome! Ele pode muito bem ser alguém perigoso, alguém que veio para raptar você! Ouw minha menina, prometa que não ira vê-lo novamente e reze para ele não contar a ninguém que você foi vista.
- Claro Ama, Farei o que você diz.
Era a primeira vez que a princesa mentia na vida.
Meia-noite na pensão do reino da terra do SAG, alguém bate a porta do misterioso tocador de flautas.
-Mestre? Posso entrar?
-Claro meu amigo. Responde o tocador.
- Porque não desces? Os habitantes sagianos estão em polvorosa a espera do tocador de flautas, as festas deste reino não têm mais graça sem sua música! Eles clamam por sua presença, as mulheres suspiram na sua ausência.
- Digam a eles que estou cansado, indisposto! Que agradeço o apreço, mas que hoje não irei descer.
- O que há mestre? Faz quatro dias que estas diferente, pensativo, algo de errado? Já pensas em abandonar este reino?
-Pelo contrário.... Aliás, este é o problema!
-Humm, pensando na princesinha novamente? Não acredito que ela é digna de tanta atenção sua, começo a querer conhecê-la! Quem sabe ela na precisa de um lacaio fiel? Bela do jeito que ela deve ser, teria o maior prazer em servi-la!
- Sem piadas Sávio....! Sabes que não devo me apaixonar!
-Porque não? Esta foi uma regra que você impôs a si mesmo, meu amigo Dannyel.
-Não deves me chamar pelo nome.....!
-Me chamaste primeiro! Foi inclusive um alivio, que nome pavoroso o mestre me arranjou! “Chico”, estas no mínimo de vingança por causa das minhas vitórias nos campeonatos de empinar pipa na nossa infância.
Neste momento o tocador de flautas sorriu. Não que chamar seu melhor amigo de “Chico” fosse uma vingança, mas porque a lembrança de sua infância era algo bem agradável. O fiel lacaio do tocador de flautas prosseguiu:
-E ai? Vamos descer? Tenho que aproveitar as belas donzelas que me cortejam por eu ser a única pessoa próxima do famoso tocador de flautas.
-Não meu amigo, realmente gostaria de ficar com meus pensamentos por hora...
-Certamente, “meu senhor”(não era fácil tratar o amigo de anos desta forma, mas era sua função e nenhum dos dois tinha culpa nisso).
- Divirta-se meu bom amigo.
- Dannyel...?!
-Sim?
- Se queres mesmo a princesa sabes o que fazer, sabes que tem um caminho bem mais fácil!
- Não meu nobre amigo.... Este caminho para mim não existe, não irei conquistar o que almejo na vida me valendo desta facilidade, por isso peço novamente que não me chames pelo nome, eu sou o tocador de flautas!
- Tsc tsc tsc, você sempre tão teimoso! - Boa noite meu fiel amigo!
- Vá! A festa te espera, vejo-te no alovorecer.
Amanhecia no bosque, o tocador de flautas já estava lá, sentado em sua pedra, brincando com a água do rio. Os primeiros raios de sol adentravam os espaços entre as arvores, o orvalho das folhas das plantas reluziam como ouro, um espetáculo que natureza faz todos os dias sem espectadores para assistir. O tocador de flautas envolto por todo aquele clima pensava na princesa que tinha mudado seu rumo, que tinha trazido algo que ele julgava que não sentiria novamente. A princesa costuma freqüentar o bosque quando o dia já está alto, pelas nove horas da manha, mas a ansiedade tinha trazido o tocador cedo ao ponto de encontro.
A princesa pulou da cama assim que o sol raiou, engoliu o desjejum e pelas 7h já estava pronta, não havia mais nada a fazer senão esperar. O seu pai sairia para fazer visitas reais às 8h e ela não poderia fugir com segurança antes disso. Foi o intervalo de tempo mais longo da sua vida, nunca 60 minutos foram tão demorados como estes, mas ela tinha que esperar, era prudente que ele saísse da forma mais sorrateira possível do castelo, uma vez que Naninha também agora estava contra suas saídas. Esperou o momento certo e saiu, de encontro ao mistério que havia corroído sua semana.
A princesa Giullia avistou o tocador de flautas ao longe, brincando com o córrego... Ela parou e fitou seu semblante, ainda não tinha olhado para ele com calma ... Achou ele bem engraçado! Uma mistura de seriedade e falta de jeito, uma mistura de palhaço com professor... Certamente algo totalmente diferente do que ela esta acostumada a ver.
Ela se aproximou devagar, curtindo a sensação de paz que aquele rapaz desconhecido lhe proporcionava. Ao notar a chegada da princesa, o tocador de flautas sorriu, olhou para ela e disse:
- Você é realmente pontual...!
- Nem sempre...!
- Somente para o que lhe interessa?
A princesa corou.
- O que te faz pensar que você me interessa?
-Porque você ainda não me disse que não interessa. Não te interesso?
- Não sei... Na nossa última conversa você insinuou que era o dono das respostas! Então? Não sabes?
-Errado. Eu possuo as chaves para as suas respostas, mas nao sou o dono delas, elas estao ai dentro de você.
-Sério? Ainda nao imagino como sabes tanto de mim
- O que te faz feliz princesa Giullia?
- Eu sou feliz naturalmente...!
- Todos temos algo que nos faz feliz...!
- Humm, deixe me ver, este bosque me faz feliz!
- Não é o bosque, é a sensação de liberdade que te faz feliz, de ser somente Giullia, sem o peso do cargo de princesa da terra do SAG.
- Adoro ser princesa!
- Tudo o que somos tem seu doce e seu amargo, aqui no bosque você encontra forças para ser o que é sendo o que não é.
A princesa franziu a testa, o tocador sorriu e completou:
- Você entendeu?
-Mais ou menos...!
-Você veio aqui em busca das tais chaves do seu coraçao não é mesmo?
A princesa consentiu com a cabeça.
-Poderias me dar a tua mão?
A princesa hesitou.
-Alteza, podes confiar em mim!
Giullia estendeu-lhe a mão direita. O tocador de flautas carinhosamente acolheu-a, toca-la proporcionou uma sensação estranha, uma vontade de correr e de ficar ao mesmo tempo, era como tocar a lua, era como descobrir a matéria dos sonhos.
-Realmente tens mãos de princesa....
- O que queres com minha mão?
- Adentrar a sua alma, despir seu coração...
A princesa novamente franziu a testa. O tocador de flautas sorriu mais uma vez.
- Nas minhas andanças pelo Oriente aprendi a magia milenar da quiromancia, esta magia da o poder de ler a vida das pessoas através das linhas da palma da mão.
Giullia discretamente riu de tal absurdo, como alguém pode saber da vida de alguem através da analise da palma da mão? No entanto, ela deixou que o tocador prosseguisse. O tocador mudou de expressão, concentrou-se ao olhar para mão da princesa.
-Para um membro da realeza, tens uma mão deveras interessante.
-Porque?
-Seu destino ainda não foi traçado...! Ele depende apenas de suas escolhas.
-Acaso o destino de todos não é assim?
-Não. Não se pode negar o poder que cada um tem diante da sua história, porém você não é alguém de escolhas ou de destino previsível, a linha da sabedoria, a linha do amor e a linha da vida brilham em seu caminho, mas a linha do destino é fraca e essa fraqueza faz de você alguém muito poderosa.
-Como uma fraqueza pode fazer alguém poderoso?
-Todas as nossas fraquezas nos fazem poderosos, um tropeço ensina mais do que um progresso... Somos a soma dos aprendizados que temos na vida e quase todas as lições que obtemos são provenientes de nossos defeitos. Mas este não é o tipo de fraqueza que me refiro, refiro-me a falta de força da sua linha do destino, sua vida é um riacho calmo, não uma forte correnteza. Quem vai determinar aonde este rio irá desaguar é você.
A princesa sorriu....
-Quer dizer que vim aqui atrás das respostas da minha alma e tu me dizes que só eu as sei? Ou melhor, que elas só dependem de mim?
-Exatamente! Mas isso não significa que eu não possa lhe ajuda, precisas de mim mais do que muitos que já têm o destino traçado, você precisa de alguém que te oriente, pois sua vida pode e será uma grande aventura.
O tocador de flautas pegou a mão da princesa Giullia e beijou-a.
-Tive a ousadia de dizer que conhecia a beleza até encontrar-te, que simplicidade a minha... Ainda não conhecia o que era a belo de fato.
-Tivestes a ousadia de beijar a mão de uma princesa, isto é um pecado para um plebeu em muitos reinos.
-Deixe-me então limpar o pecado dos meus lábios nos teus. A boca de uma princesa não como a boca de um anjo?
-Dessa forma não estarias transmitindo o teu pecado para meus lábios?
-Não, desta forma estarei indo de encontro a minha penitência por pecar.
O tocador de flautas beija a princesa, ela reluta no inicio mais se entrega ao beijo. Olhando nos olhos dela ele prossegue:
-Apartir de agora pago minha penitência, virei cativo da tua presença. Porém, se meu castigo é te amar, castigo-me então mil vezes.
- Sou para ti então um carrasco? Te ceifei a liberdade?
-Ès para mim a salvação. Liberdade é prender-se ao que se sonha e eu te sonhei desde o inicio dos tempos. Amava-te antes mesmo de te conhecer, por mais loucas que estas palavras sejam. Te sonhei para mim, assim como o sabiá sonha as asas para voar.
A princesa então beija o tocador e diz:
-Não sei do tempo nem do que sinto, mas confio em você. Ajudas-me então com meu destino?
-Nasci para isto, princesa.
Eles então trocaram um longo beijo e passaram um bom tempo se olhando, pois os corpos se entendem com palavras, mas as almas se entendem com olhares.
-Preciso ir meu tocador, o dia avança rápido.
-Estarei aqui te esperando para o próximo encontro...
-Estarei ansiosa para ver-te novamente...!
A princesa se despede e anda alguns passos, para e volta.
-Espera! Ainda não sei teu nome!
- Engraçado princesa, tem algo em seu cabelo, perto da sua orelha! A princesa colocou a mão no pescoço e nada sentiu.
-Deixe-me tirar para você.
Como um passe de mágica o tocador de flautas fez aparecer uma rosa em suas mãos, na rosa estava preso um pequeno pergaminho. O tocador de flautas entregou a rosa a princesa, fez a reverência real e foi embora, sem dizer mais nada. A princesa abriu cuidadosamente o pergaminho, nele estava escrito:
“Os lábios que ainda não havia beijado,
A pele que ainda não havia tocado,
Os olhos que frente a frente, ainda não havia fitado.
As palavras que com carinho ainda não havia escutado.
As angustias que com doçura ainda não havia acalmado.
De tudo isso um pouco, em sonho experimentei
Envolto de esperanças, castelos levantei...
O tempo me fez achar que vivia em vão,
Desacreditado,derrubei as paredes da ilusão....
Não tinha te encontrado até então.
No entanto, sem querer te encontrei,
Nos teus olhos, meus antigos sonhos visualisei,
Nos teus braços acredito ter encontrado,
Meu sonho realizado...!"
De seu tocador de Flautas,
Dannyel
A princesa sorriu, guardou o pergaminho junto ao coração e iniciou o caminho de volta ao castelo.
Capítulo III
Ao chegar no castelo a princesa deu de cara com Naninha, ao vê-la a ama correu ao seu encontro. Um frio percorreu a espinha da princesa, ela acreditava que tinha sido descoberta! Mas estava enganada, Naninha pegou-a pelo braço e disse:
-Apresse-se, não temos tempo a perder.
Sem entender o que se passava a princesa foi guiada ao gabinete do pai. O rei SAG encontrava-se sentado, esperando pela filha, ao perceber sua entrada disse calmamente:
-Sente-se minha filha....
A princesa sentou-se.
-Algo errado meu querido Pai?
-Chegou à hora de você cumprir seu destino como princesa, Giullia.
A princesa não entendeu. O pai prosseguiu.
- Não te contei para não te preocupar, mas estamos praticamente em guerra com o reino de Graveyard devido a desavenças nos limites dos territórios. O exército deles é maior e mais preparado que o nosso, sabes bem que eu tento resolver tudo pela diplomacia, por isso não incentivo a cultura da guerra na terra do SAG. O nosso povo não saberá viver em batalhas, faço de tudo para que eles tenham uma vida digna, distante de um destino manchado de sangue. O rei de Graveyard, no entanto, não aceita acordos, quer anexar parte do nosso reino ao território dele. Como eu sou respeitado em todos os reinados, ele veio me procurar antes de invasão, ele veio propor um negocio que evitaria o derramamento de sangue...
O coração da princesa gelou, pressentindo o que iria ser proposto...
´-Ele propôs casar-te com o filho dele, o duque de Von Lichenstein. O rapaz estudou com os melhores preceptores, sabe filosofia, música e domina cavalos como ninguém. Tenho q reconhecer que ele é preparado para assumir o reino em meu lugar. Com o casamento de vocês, os dois reinos seriam unificados e não haveria motivo para batalhas. O enlace além de evitar a guerra, vai fortalecer nossa economia, o reino de Graveyard é conhecido pela sua marinha mercante.
A princesa baixou a cabeça, ficou em silêncio. Tinha sido educada para servir a terra do SAG e agora todos precisavam dela, era sua responsabilidade como princesa. Lembrou do tocador de flautas e mentalmente o chamou de mentiroso! Como o seu destino poderia estar aberto? Como ele ousou encher o coração dela de ilusões? Como ele pode a fazer acreditar que era livre e que poderia amar? Quis desejar não o ter conhecido, mas já era tarde demais, o seu coração não mais a pertencia. Porém, ela sabia o que tinha que deveria ser feito. Levantou a fronte e disse com a voz tremula:
-Claro pai, é o meu destino, estou muito feliz em ser útil ao povo da terra do SAG.
O rei se levantou, beijou a testa de filha e disse:
-Deus te abençoe, minha menina. Irei me reunir com os conselheiros reais para decidirmos como iremos fazer sua apresentação ao reino da terra do SAG.
A princesa fez a reverencia real e saiu do gabinete calmamente, no entanto, ao fechar as portas da sala, partiu em disparada para seu quarto, sem mais poder conter as lágrimas...
Pouco depois, adentram no gabinete os conselheiros reais. Belchior, o mais velho, cumprimenta o rei:
-Parabéns pela decisão majestade, é mais sensato a se fazer.
-Não gostaria de sacrificar minha filha assim meu nobre amigo, mas é a vida dos habitantes da terra do SAG que esta em jogo. Chamei-os para decidirmos como será a apresentação da princesa, realizaremos um baile real? Um que seria mais adequado?
Baruc, o mais novo conselheiro pensou um pouco e interveio:
- Majestade, já ouviste falar do tocador de flautas? Sua fama se espalha como fogo em palha por toda terra do SAG. Ele anima as festas dos camponeses e dá conselhos sobre os mais diversos assuntos. O povo o ama! Ele é aclamado pelos homens e arranca suspiros das donzelas, parece-me que ele já esteve em muitos reinos, ele deve ter algo interessante para nos sugerir. Talvez uma idéia para a apresentação da sua filha que agrade toda a terra do SAG.
O rei pensou um pouco, sorriu e disse:
-Já ouvi falar dele sim, ando muito ocupado com este conflito com o reino de Graveyard por isso não tive a oportunidade de ir conhecê-lo pessoalmente. Não gosto de quebrar tradições, porem minha filha é única, singular, talvez este forasteiro tenha uma idéia digna de minha princesa. Mandem chamar aqui o tocador de flautas, o quero aqui antes do anoitecer.
Enquanto isso, no quarto da princesa, Naninha entra apreensiva.
-Minha doce menina, falei que não deverias ter ido novamente ao encontro daquele rapaz, que não seria saudável, porque me desobedecestes?
-Não quero falar sobre ele, sobre este assunto ou qualquer outro! Deixe-me em paz!
-Sei que farás de mim uma ama orgulhosa, tenho certeza que cumpriras teu destino e farás feliz a terra do SAG.
-Farei o que todos esperam de mim, não te preocupes! Agora me deixe só
Na pensão da terra do SAG, já havia um mensageiro esperando o tocador de flautas antes mesmo do seu retorno do bosque,uma vez que o tocador havia ficado mais um tempo la refletindo. Ele entregou a intimação do rei e perguntou se o tocador estava disponível, Dannyel apreensivo achou que a princesa tivesse sido descoberta, aceitou prontamente e seguiu junto com o mensageiro para o castelo.
Chegando lá, ele foi guiado até o gabinete do rei, o mensageiro entrou e o anunciou, logo após pediu que ele entrasse. Ao entrar fez a reverencia real e o rei indicou a cadeira para que ele sentasse.
-È um prazer imensurável para mim receber o famoso tocador de flautas.
-É um igual prazer conhecer o tão benevolente rei da terra do SAG.
O tocador estava nervoso, acreditava que a princesa tinha sido descoberta, no entanto não se precipitou, o rei disse:
-Fiquei sabendo de sua fama meu rapaz, não se fala em outra coisa pelo quatro cantos do reino Sagiano, sua forma de animar as festas dos camponeses chegou aos meus ouvidos. Talvez por isso, precise de um conselho seu. No entanto, gostaria de conhece-lo melhor antes, como é seu nome?
-Juan.
Respondeu o tocador de flautas. Era arriscado dizer seu nome verdadeiro a um rei e este foi o primeiro nome que veio a sua cabeça, talvez por este ser o nome do protagonista do romance da que estava lendo na noite anterior.
-Muito bem meu bom Juan, de onde és?
-Sou de todos os lugares, desde que nasci me fiz andarilho.
-Não tens pai nem mãe?
-Tenho, como todo mundo! Sou filho de ciganos, por isso sou de lugar nenhum. Sou do mundo.
-Quer dizer então que conheces muito reinos?
-Todos que ouvi falar....!
-O que achas da terra do SAG?
-Certamente é o reino que mais me agradou, tanto que prolonguei minha estada aqui, o povo é alegre e hospitaleiro, as vilas são cheias de vida e de cores.
O rei sorriu com a resposta, aquele rapaz lhe passava confiança, mesmo sendo de origem desconhecida. O tocador de flautas também estava mais tranqüilo diante da presença do rei. A majestade prossegiu:
-De certo já vistes então muitas festas.
-De todos os jeitos e de todas as formas.
-Então sua ajuda pode ser de grande valia
-Como? Respondeu o tocador de flautas, sem entender aonde o rei queria chegar.
-Não sei se o nobre rapaz sabe, mas tenho uma filha, creio que mais ou menos da sua idade. A tradição da terra do SAG diz que ela só pode ser apresentada ao reino quando estiver com o casamento marcado, geralmente esta apresentação se dá através de um evento festivo.Bom, o fato é que minha filha esta para se casar, acertei hoje pela manha o casamento dela com o duque Von Lichestein. Não gostaria que fosse assim tão rápido, mas devo casa-la para evitar uma guerra, o rei de Greveyard pretende anexar territórios meus ao dele, não tenho forca bélica para deter-lo, não me resta outra alternativa senão oferecer minha filha em casamento.
O tocador ficou atônico, um mal estar percorreu seu interior... Não sabia se gritava, se chorava! Sentiu um misto de angustia e cólera, mas logo se recompôs, não poderia dar impressão que sabia de algo ou que conhecia a princesa. Eram muitas informações e o que o fez passar mal não foi o simples fato de sua princesa Giullia estar se casando, mas o nome que tinha escutado...
-Lichestein... sussurrou o tocador de flautas.
-Conheces o noivo de minha filha?
-Já ouvi falar... Não é o príncipe de Graveyard?
-Ele mesmo! Já estivestes em Graveyard?
-Só de passagem, algumas vezes.
-Bom mais isto não vem ao caso meu bom Juan, preciso que ajudes a organizar uma festa única para apresentação da minha filha, confio na sua experiência adquirida ao longo de suas andanças.
O tocador de flautas ainda não raciocinava com clareza, o golpe tinha sido forte e certeiro, se continuasse naquela sala iria colocar tudo a perder.
-Façamos o seguinte Majestade, disse o tocador. Me de esta noite para pensar no que fazer, amanha pela manha me mande um mensageiro que eu enviarei minha resposta. De acordo?
-De acordo, meu bom rapaz. Bem cedo mandarei um representante.
O tocador de flautas pediu licença, fez a reverencia real e se retirou, mais um segundo naquela sala e teria falado o que estava engasgado em sua garganta.
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O tocador de flautas chegou em silêncio ao quarto da pensão, seu fiel lacaio Sávio o esperava ansioso.
-Como foi pela manha com a princesa meu senhor? Com o avançado da hora acredito que foi bem proveitoso não é mesmo? Disse o lacaio, dando tapinhas nas costas do tocador.
- Não há tempo para brincadeiras Sávio!! Temos que agir....
O lacaio não entendeu, o tocador pos a coloca-lo a par dos fatos.
-Lichestein??? Ele não teve os mesmos....
-Exatamente!
-Então corres o risco de ser reconhecido?
-Não, o Lichestein não irá me reconhecer, ele não olha nos olhos de um plebeu, ele sequer notara meu rosto. Sou um simples tocador de flautas e ele o príncipe de um dos reinos mais temidos de todo o mundo.
-O que pretendes fazer meu amigo?
-Deixe-me pensar Sávio, retorne aos meus aposentos antes do amanhecer.
O tocador de flautas se desfez dos sentimentos tristes que habitavam seu peito e pos-se a pensar com clareza. Não era somente a mão da princesa que estava em jogo... Ele sabia como poucos o que o Lichenstein era capaz de fazer, ele certamente iria destruir todas as coisas boas do reino da terra do SAG. Depois de algumas horas pensando, ele decidiu o que fazer. Pegou dois pergaminhos e escreveu mensagens diferentes nos dois. Esperou entao Savio entrar no quarto. Quando ele chegou entregou um dos pergaminhos e pediu que lesse. Ao terminar de ler, Sávio abriu um sorriso!
-Finalmente um pouco de ação! Bradou ele...! Agora sim este é o Dannyel que eu conheço.
-Agora deves ir meu amigo, não temos tempo a perder, faça o que tens que fazer.
-Como nos velhos tempos? Sorriu Sávio
-Como nos velhos tempos! Repetiu Dannyel. Boa viagem meu amigo!
-Voltarei a tempo...!
O fiel lacaio saiu do quarto e foi aos seus aposentos arrumar sua mala, antes do sol amanhecer, já estava na estrada.
Ao raiar do sol o mensageiro do rei já estava a espera da resposta, o tocador de flautas entregou o outro pergaminho ao rei, ao receber a resposta o rei muito se alegrou e pediu que o tocador fosse a avisado pelo fim tarde ele deveria comparecer ao castelo para passar o combinado ao noivo e a noiva, uma vez que hoje ele receberia a visita do duque de Von Lichenstein. O tocador recebeu então o recado do rei e se pos a esperar o dia passar.
Capítulo IV
Giullia tinha sido avisada da visita do duque, como uma dama que se arruma para o ultimo passeio no parque, passou o dia se preparando, colocou seus pensamentos e sentimentos de lado e focou no seu destino como princesa, precisava estar linda para agradar o duque. Na hora marcada pelo seu pai, se dirigiu ao salão real e sentou-se a sua direita. Com alguns minutos, um serviçal veio anunciar a chegada do duque de Von Lichestein.
Ele então adentrou no salão real. Cabelos e vestes impecáveis, beleza incomparável, andar esbelto e elegante, gestos finos, olhar de príncipe. Não se podia negar que o duque era impecável. Tinha um ar de leão diante de lebre, de superior. Era realmente um nobre. Cumprimentou primeiro o rei e logo depois a princesa.
-È um prazer conhecer-te Giullia, tua beleza e educação é famosa em todos os reinos.
A princesa lembrou do tocador de flautas, lembrou que ele disse que via além da beleza dela, além dos tratos de nobre. Ela então forçou um sorriso e agradeceu...
-Obrigada, senhor duque. Tive ótimas referencias suas, és um príncipe valoroso, não há dúvidas.
-Farão um belo casal, completou o rei.
Neste momento, o serviçal entra no salão real a avisa o rei da chegada do outro convidado, o rei permite sua entrada. Para surpresa da princesa, o tocador de flautas entra pela porta principal. Ele faz a reverencia real ao rei, e cumprimenta a princesa e o duque(que como ele havia previsto, não olhou em seus olhos).
-Este é Juan, o tocador de flautas. Comunica o rei. Esta é minha filha, a princesa Giullia e este é o seu noivo, o príncipe de Graveyard, o duque de Von Lichestein.
A princesa e o tocador se entreolham, ela não entende o porque do nome Romeu. Acaso ele mentiu para ela sobre seu nome? Achou que fosse morrer com esta dúvida.
-O tocador de flautas teve uma idéia interessantíssima sobre como te apresentar ao reino filha...
-Uma peça, completou o tocador...! Ensaiaremos uma grande peça na qual a princesa poderá atuar de protagonista, o príncipe também se assim desejar. Acredito que ambos receberam educação teatral.
-È uma ótima idéia, comentou o duque. No entanto, não concordo. Não gosto de atuar.
O tocador de flautas já esperava por esta resposta do duque, Lichestein não havia mudado nada, o seu plano estava dando certo.
-Bom senhor duque. Esta é uma ótima forma de mostrar a todos os dotes da princesa, demonstrar o quanto ela é digna e cheia de prendas, conheço muitas pessoas no reino, apesar de minha curta estada aqui e todos são estão curiosos não só para saber da beleza da princesa, mas também para conhecer as suas qualidades. Será uma grande valorização para o futuro rei da terra do SAG, todos irão inveja-lo pela esposa que tens.
-Realmente, não tinha avaliado desta forma. Mas quem então atuará ao lado da princesa?
-Eu mesmo posso escrever a peça e atuar nela, também recrutarei os melhores camponeses para atuar na peça, assim o povo da terra do SAG se sentira valorizado. Iras ter a opinião publica sempre ao seu favor, irão lembrar para sempre desta peça e de como foram importantes no inicio deste novo reinado.
A idéia de ver um plebeu ao lado de sua futura esposa incomodava o duque. Porém ele precisava da confiança da plebe imunda para dominá-los. Resolveu então apoiar a idéia.
-Se todos estão de acordo, disse o rei. Que comece os preparativos para a peça.
-E que seja rápido! Disse o duque. Mal posso esperar para ter a minha bela esposa ao meu lado.
-Bom majestade, gostaria então de combinar os aspectos respectivos a peça em si, figurino, enredo, personagens...
-Não, teatro me da náuseas! Interpelou o duque. Majestade, o que achas de mostrares o reino que irei herdar? Enquanto isso, o nosso amigo tocador combina estes pormenores com minha querida noiva, acredito que a arte não te interesse muito neste momento.
O rei sentiu o toque de ironia nas palavras do duque, ele havia acabado de lembrar que aquilo não passava de um negocio onde o preço era sua filha, engoliu o orgulho e concordou com duque.
-Filha, combine todos os aspectos necessários com Juan, não precisa medir o dinheiro, gaste o que for necessário.
Com estas palavras o rei saiu com o duque e deixou a princesa e o tocador a sós.
-Pronta para fazer da sua vida uma aventura, princesa?
-Aventura? Zombas de mim e do meu destino, “tocador de flautas”.
Proferiu a princesa, com um desdém tão falso quanto ouro de tolo.
- E qual é o destino que tanto ofendo?
-Aquele disseste que estava aberto, mentiroso! Falso! Cínico! Porque me iludistes?
- Não menti, ele continua aberto....
-Não...!!!!!! Ele continua o mesmo! Sabes por que vou me casar? Para salvar a vida de todo! O eu destino sempre foi esse! Viver pela terra do SAG, estava conformada com ele até você aparecer.
-O seu destino continua nas suas mãos, e sim, vamos salvar a terra do SAG. Eu e você...! Juntos!
A princesa não entendeu, o tocador continuou.
-Não me pergunte como, mas conheço o Lichestein e o reino da terra do SAG irá correr perigo nas mãos dele, ele ira transformar tudo que você ama em um mundo frio, sem amor, feito somente para render e guerrear. Ele vai destruir o mundo mágico que é este reino.
Mesmo sem entender, a princesa indagou...
- E como faremos isto?
-Usarei esta peça para ganhar tempo, trarei a presença de seu pai uma pessoa que ele irá escutar e que irá convence-lo a não dar sua mão em casamento ao duque. Esta pessoa ajudará a terra do SAG a combater o reino de Graveyard.
-E quem é este?
-Conheço muitas pessoas, esta em especial não negara um pedido meu. Inclusive ficara muito feliz em saber noticias minhas, embora continue me achando um desajuizado.
-Não sei se devo confiar em ti, não tenho certeza nem do teu nome...!
-O que vale um nome ou titulo de nobreza? Acaso a mais bela flor deixará de ser formosa e perfumada se eu a chamar por outro nome? Te respondo que não. Chames-me do que quiser, eu sou teu tocador de flautas e meu amor por você esta acima de denominações, esta acima do que sou ou do que és. Porque somente através do amor podemos determinar não o que somos, mas o que podemos ser.
Num ímpeto de desejo, a princesa se jogou nos braços do tocador de flautas e o beijou, as lagrimas acariciavam sua face.
-Achei que jamais voltaria a vê-lo, que jamais sonharia novamente.
-Estarei sempre com vce Giullia. “Just like magic”, Always. Agora vamos lá, se afaste, estamos a sós mas ainda estamos no castelo real, não podemos correr este risco. Tenho uma boa noticia...!
-Qual?
-Agora que a proposta foi aceita, ganhei o direito de vê-la todos os dias, para poder ensaiar a peça. Iremos nos ver sempre, com jeitinho arranjaremos uma forma de ficarmos a sós.
A princesa sorriu, era bom poder se sentir viva novamente.
-Falando na peça, do que ela ira falar?
- De um cigano que se apaixona por uma bela mulher, e que através da leitura da mão dela, muda toda sua vida! Ajuda sua amada a salvar sua aldeia e conquistar o amor verdadeiro. A historia parece familiar?
A princesa caiu na gargalhada. Só mesmo o tocador de flautas para faze-la rir naquele dia.
-Devo ir minha princesa, logo seu pai estará de volta. Depois de um rápido e tremulo beijo de despedida, o tocador sussurrou no seu ouvido:
“-Eu não sou ficção, sou realidade, hoje e sempre presente eu seu coração.”
Com estes dizeres, despediu-se e saiu do salão real.
Conforme combinado, no outro dia o tocador estava bem cedo de volta ao castelo real, quando a princesa acordou para tomar o desjejum, ele estava sentado à mesa, junto com o duque e o Rei. Von Lichestein demonstrava ligeiro desconforto com a presença de um plebeu a mesa real, preferiu, no entanto não se manifestar contra, era uma ótima oportunidade para se sentir superior a ele, uma vez que um músico de rua jamais saberia se portar em uma mesa com nobres. Quando a princesa sentou-se, foi servido o café. Todos iniciaram a refeição, menos o tocador.
-O que foi rapaz? Indagou o duque. Nunca viu tanta comida assim? Aposto que aqui tem mais comida do que nas suas ultimas 15 refeições.
-Talvez realmente tenha. Respondeu o tocador. No entanto, possuo o suficiente para sobreviver, nada me falta.
-Entao não se acanhe, inicie sua refeição, não iremos notar seu modos. Lógico, que imperdoável agir como um selvagem em uma mesa real, mas sabemos que não tivestes a educação necessária para tal. Como nobres benevolentes iremos desconsiderar tal ofensa.
-Obrigado, Alteza. Se for dessa forma, não me envergonharei mais.
Porém, para a surpresa de todos, o tocador sabia a seqüência correta dos talheres, sabia o modo mais adequado para se servir do que tinha na mesa, sabia usar o guardanapo, sabia como segurar na taça com suco e na xícara com leite, talvez de forma mais graciosa e fina que o duque. A princesa olhava espantada, mas com um sorriso no rosto, era bom ver o tocador dando uma lição naquele duque cheio de pompa. Von Lichestein não sabia o que dizer, não sabia aonde enfiar seu orgulho. O rei muito admirado, comentou:
-Apesar de ser filho de ciganos, tens uma boa educação.
-A nobreza esta na alma majestade. Não em um titulo. Nas minhas andanças aprendi a honrar uma presença ilustre como a vossa.
-È uma pena que, no entanto, não existam nobres sem títulos. Cutucou o duque.
-È igualmente lastimável que existam títulos entregues a pessoas tão carentes da verdadeira nobreza. O que certamente não é o seu caso, senhor duque de Von Lichestein. Comentou o tocador, em discreto tom irônico.
-Engraçado, sua forma de falar me lembra um velho conhecido...! Comentou o duque, olhando ainda que por cima o tocador pela primeira vez.
-Quem? Interpelou o tocador, suando frio e prometendo a si mesmo que deveria ser mais discreto e não provocar o duque.
-Deixe para lá... Certamente não o conheces. E depois já faz muito tempo, á alguém que conheci na infância.
Mesmo sem saber o motivo, a princesa sentiu que deveria mudar o rumo da conversa.
-Então Pai, não gostaria de saber do que vai se tratar a peça?
-Claro filha! Qual será o enredo tocador de flautas?
-Será a historia de um cigano que conhece uma camponesa, e que através da quiromancia.Ajuda ela a salvar sua aldeia e seu coração.
-Que interessante! Disse o rei. Acredito que o povo da terra do SAG ira se identificar bastante, isso é bom. Não me arrependo de ter pedido sua ajuda, bom Juan.
-Ainda bem não irei participar, completou o duque. Com todo respeito a história do tocador, mas é muito romanticazinha, ainda se fosse uma batalha, mas a história de um cigano com uma camponesa? Coisa de maricas! Acredito que todas as donzelas do reino irão adorar, certamente foi pensando em minha doce esposa que inventastes este enredo não foi “nobre” tocador? A palavra nobre foi proferida com tanto fel, que dava pra sentir a acidez no ar.
-Certamente duque. Estou sendo pago para agradar a princesa não é mesmo?
-És um bom servo então! Muito competente.
O Rei então sugeriu:
-Porque não vamos dar um passeio no jardim real? Tenho alguns assuntos a tratar com o duque e o tocador de flautas deve ter muito assunto com a princesa Giullia também. O que acham?
Todos concordaram. O duque e o rei foram na frente, conversavam sobre política e economia, enquanto isso, o tocador conduzia a princesa com seu braço pelo jardim.
O tocador cantarolava belo jardim real, a princesa não se conteve e disse:
-Eu estou prestes a me casar com alguém que dizes não valer nada, o meu reino vive uma guerra eminente e tu cantas? Nada te preocupas?
O tocador de flautas passou a assobiar... lalalalararalara
-Quão irritante és!(ela teve o ímpeto de chama-lo de leso, mas não estamos no msn)
-Nem vejo motivo para estar preocupado, o tanto te preocupa?
-Como é que vamos ganhar tempo com esta peça, tocador espertalhão?
-Simples, vamos fingir que estamos ensaiando, já falei com alguns amigos camponeses para deixar o fingimento mais real.
-Fingir?
-Exatamente, não haverá peça. Irei impedir seu casamento antes.
-Meu pai quer a peça para daqui a duas semanas, pediu que te avisasse.
-È, duas semanas... acho que é o suficiente!
-E se não for?
-Ai terei que rapta-la!
-Raptar-me?
-È! Tenho tudo planejado. Temos duas opções, ou esta pessoa te salva ou eu te salvo! As duas, serão grandes aventuras!
-Você me salvar? Nanico deste jeito? Você pode ser bom com a musica, com as palavras, mas vai ter que passar pelos guardas reais... duvido muito!
-Queres apostar princesinha do nariz empinando? Ainda sabes muito pouco de mim, tenho inteligência e destreza para enganar todos os guardas do seu reino.
-HA HA HA. Estas palavras me fazem cócegas... Esta apostado! O que iremos apostar?
-Ficaras me devendo um beijo para sempre se eu ganhar, se tu ganhares ficarei eu te devendo um beijo;
-Assim não tem graça, o beijo vai acontecer de qualquer forma!
-Exatamente! \o/(Pq eu não pensei nisso no jogo de war? Este contrato é bem mais interessante não é mesmo leitora?continuemos a historia)
-Mas... mudando de assunto, quando começaremos a “ensaiar”, ó destemido tocador?
-Pedirei um encontro a sós com a princesa hoje a tarde, para repassar o texto, aqui mesmo neste jardim! O que você acha?
-Muito apropriado! O pai e o duque irão passar o dia fora em visitas reais, teremos só a Naninha no meu pé.
-Meus amigos camponeses irão tratar de deixa-la bem ocupada, garanto-lhe!
Então, entre conversas e sorrisos o casal continuou o passeio, esquecendo da seriedade da missão que tinham e do que iriam enfrentar para ficar juntos e salvar a terra do SAG.
