28 de julho de 2008

Capítulo III

Ao chegar no castelo a princesa deu de cara com Naninha, ao vê-la a ama correu ao seu encontro. Um frio percorreu a espinha da princesa, ela acreditava que tinha sido descoberta! Mas estava enganada, Naninha pegou-a pelo braço e disse:

-Apresse-se, não temos tempo a perder.

Sem entender o que se passava a princesa foi guiada ao gabinete do pai. O rei SAG encontrava-se sentado, esperando pela filha, ao perceber sua entrada disse calmamente:

-Sente-se minha filha....

A princesa sentou-se.

-Algo errado meu querido Pai?

-Chegou à hora de você cumprir seu destino como princesa, Giullia.

A princesa não entendeu. O pai prosseguiu.

- Não te contei para não te preocupar, mas estamos praticamente em guerra com o reino de Graveyard devido a desavenças nos limites dos territórios. O exército deles é maior e mais preparado que o nosso, sabes bem que eu tento resolver tudo pela diplomacia, por isso não incentivo a cultura da guerra na terra do SAG. O nosso povo não saberá viver em batalhas, faço de tudo para que eles tenham uma vida digna, distante de um destino manchado de sangue. O rei de Graveyard, no entanto, não aceita acordos, quer anexar parte do nosso reino ao território dele. Como eu sou respeitado em todos os reinados, ele veio me procurar antes de invasão, ele veio propor um negocio que evitaria o derramamento de sangue...

O coração da princesa gelou, pressentindo o que iria ser proposto...

´-Ele propôs casar-te com o filho dele, o duque de Von Lichenstein. O rapaz estudou com os melhores preceptores, sabe filosofia, música e domina cavalos como ninguém. Tenho q reconhecer que ele é preparado para assumir o reino em meu lugar. Com o casamento de vocês, os dois reinos seriam unificados e não haveria motivo para batalhas. O enlace além de evitar a guerra, vai fortalecer nossa economia, o reino de Graveyard é conhecido pela sua marinha mercante.

A princesa baixou a cabeça, ficou em silêncio. Tinha sido educada para servir a terra do SAG e agora todos precisavam dela, era sua responsabilidade como princesa. Lembrou do tocador de flautas e mentalmente o chamou de mentiroso! Como o seu destino poderia estar aberto? Como ele ousou encher o coração dela de ilusões? Como ele pode a fazer acreditar que era livre e que poderia amar? Quis desejar não o ter conhecido, mas já era tarde demais, o seu coração não mais a pertencia. Porém, ela sabia o que tinha que deveria ser feito. Levantou a fronte e disse com a voz tremula:

-Claro pai, é o meu destino, estou muito feliz em ser útil ao povo da terra do SAG.

O rei se levantou, beijou a testa de filha e disse:

-Deus te abençoe, minha menina. Irei me reunir com os conselheiros reais para decidirmos como iremos fazer sua apresentação ao reino da terra do SAG.

A princesa fez a reverencia real e saiu do gabinete calmamente, no entanto, ao fechar as portas da sala, partiu em disparada para seu quarto, sem mais poder conter as lágrimas...

Pouco depois, adentram no gabinete os conselheiros reais. Belchior, o mais velho, cumprimenta o rei:

-Parabéns pela decisão majestade, é mais sensato a se fazer.

-Não gostaria de sacrificar minha filha assim meu nobre amigo, mas é a vida dos habitantes da terra do SAG que esta em jogo. Chamei-os para decidirmos como será a apresentação da princesa, realizaremos um baile real? Um que seria mais adequado?

Baruc, o mais novo conselheiro pensou um pouco e interveio:

- Majestade, já ouviste falar do tocador de flautas? Sua fama se espalha como fogo em palha por toda terra do SAG. Ele anima as festas dos camponeses e dá conselhos sobre os mais diversos assuntos. O povo o ama! Ele é aclamado pelos homens e arranca suspiros das donzelas, parece-me que ele já esteve em muitos reinos, ele deve ter algo interessante para nos sugerir. Talvez uma idéia para a apresentação da sua filha que agrade toda a terra do SAG.

O rei pensou um pouco, sorriu e disse:

-Já ouvi falar dele sim, ando muito ocupado com este conflito com o reino de Graveyard por isso não tive a oportunidade de ir conhecê-lo pessoalmente. Não gosto de quebrar tradições, porem minha filha é única, singular, talvez este forasteiro tenha uma idéia digna de minha princesa. Mandem chamar aqui o tocador de flautas, o quero aqui antes do anoitecer.

Enquanto isso, no quarto da princesa, Naninha entra apreensiva.

-Minha doce menina, falei que não deverias ter ido novamente ao encontro daquele rapaz, que não seria saudável, porque me desobedecestes?

-Não quero falar sobre ele, sobre este assunto ou qualquer outro! Deixe-me em paz!

-Sei que farás de mim uma ama orgulhosa, tenho certeza que cumpriras teu destino e farás feliz a terra do SAG.

-Farei o que todos esperam de mim, não te preocupes! Agora me deixe só

Na pensão da terra do SAG, já havia um mensageiro esperando o tocador de flautas antes mesmo do seu retorno do bosque,uma vez que o tocador havia ficado mais um tempo la refletindo. Ele entregou a intimação do rei e perguntou se o tocador estava disponível, Dannyel apreensivo achou que a princesa tivesse sido descoberta, aceitou prontamente e seguiu junto com o mensageiro para o castelo.

Chegando lá, ele foi guiado até o gabinete do rei, o mensageiro entrou e o anunciou, logo após pediu que ele entrasse. Ao entrar fez a reverencia real e o rei indicou a cadeira para que ele sentasse.

-È um prazer imensurável para mim receber o famoso tocador de flautas.

-É um igual prazer conhecer o tão benevolente rei da terra do SAG.

O tocador estava nervoso, acreditava que a princesa tinha sido descoberta, no entanto não se precipitou, o rei disse:

-Fiquei sabendo de sua fama meu rapaz, não se fala em outra coisa pelo quatro cantos do reino Sagiano, sua forma de animar as festas dos camponeses chegou aos meus ouvidos. Talvez por isso, precise de um conselho seu. No entanto, gostaria de conhece-lo melhor antes, como é seu nome?

-Juan.

Respondeu o tocador de flautas. Era arriscado dizer seu nome verdadeiro a um rei e este foi o primeiro nome que veio a sua cabeça, talvez por este ser o nome do protagonista do romance da que estava lendo na noite anterior.

-Muito bem meu bom Juan, de onde és?

-Sou de todos os lugares, desde que nasci me fiz andarilho.

-Não tens pai nem mãe?

-Tenho, como todo mundo! Sou filho de ciganos, por isso sou de lugar nenhum. Sou do mundo.

-Quer dizer então que conheces muito reinos?

-Todos que ouvi falar....!

-O que achas da terra do SAG?

-Certamente é o reino que mais me agradou, tanto que prolonguei minha estada aqui, o povo é alegre e hospitaleiro, as vilas são cheias de vida e de cores.

O rei sorriu com a resposta, aquele rapaz lhe passava confiança, mesmo sendo de origem desconhecida. O tocador de flautas também estava mais tranqüilo diante da presença do rei. A majestade prossegiu:

-De certo já vistes então muitas festas.

-De todos os jeitos e de todas as formas.

-Então sua ajuda pode ser de grande valia

-Como? Respondeu o tocador de flautas, sem entender aonde o rei queria chegar.

-Não sei se o nobre rapaz sabe, mas tenho uma filha, creio que mais ou menos da sua idade. A tradição da terra do SAG diz que ela só pode ser apresentada ao reino quando estiver com o casamento marcado, geralmente esta apresentação se dá através de um evento festivo.Bom, o fato é que minha filha esta para se casar, acertei hoje pela manha o casamento dela com o duque Von Lichestein. Não gostaria que fosse assim tão rápido, mas devo casa-la para evitar uma guerra, o rei de Greveyard pretende anexar territórios meus ao dele, não tenho forca bélica para deter-lo, não me resta outra alternativa senão oferecer minha filha em casamento.

O tocador ficou atônico, um mal estar percorreu seu interior... Não sabia se gritava, se chorava! Sentiu um misto de angustia e cólera, mas logo se recompôs, não poderia dar impressão que sabia de algo ou que conhecia a princesa. Eram muitas informações e o que o fez passar mal não foi o simples fato de sua princesa Giullia estar se casando, mas o nome que tinha escutado...

-Lichestein... sussurrou o tocador de flautas.

-Conheces o noivo de minha filha?

-Já ouvi falar... Não é o príncipe de Graveyard?

-Ele mesmo! Já estivestes em Graveyard?

-Só de passagem, algumas vezes.

-Bom mais isto não vem ao caso meu bom Juan, preciso que ajudes a organizar uma festa única para apresentação da minha filha, confio na sua experiência adquirida ao longo de suas andanças.

O tocador de flautas ainda não raciocinava com clareza, o golpe tinha sido forte e certeiro, se continuasse naquela sala iria colocar tudo a perder.

-Façamos o seguinte Majestade, disse o tocador. Me de esta noite para pensar no que fazer, amanha pela manha me mande um mensageiro que eu enviarei minha resposta. De acordo?

-De acordo, meu bom rapaz. Bem cedo mandarei um representante.

O tocador de flautas pediu licença, fez a reverencia real e se retirou, mais um segundo naquela sala e teria falado o que estava engasgado em sua garganta.

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O tocador de flautas chegou em silêncio ao quarto da pensão, seu fiel lacaio Sávio o esperava ansioso.

-Como foi pela manha com a princesa meu senhor? Com o avançado da hora acredito que foi bem proveitoso não é mesmo? Disse o lacaio, dando tapinhas nas costas do tocador.

- Não há tempo para brincadeiras Sávio!! Temos que agir....

O lacaio não entendeu, o tocador pos a coloca-lo a par dos fatos.

-Lichestein??? Ele não teve os mesmos....

-Exatamente!

-Então corres o risco de ser reconhecido?

-Não, o Lichestein não irá me reconhecer, ele não olha nos olhos de um plebeu, ele sequer notara meu rosto. Sou um simples tocador de flautas e ele o príncipe de um dos reinos mais temidos de todo o mundo.

-O que pretendes fazer meu amigo?

-Deixe-me pensar Sávio, retorne aos meus aposentos antes do amanhecer.

O tocador de flautas se desfez dos sentimentos tristes que habitavam seu peito e pos-se a pensar com clareza. Não era somente a mão da princesa que estava em jogo... Ele sabia como poucos o que o Lichenstein era capaz de fazer, ele certamente iria destruir todas as coisas boas do reino da terra do SAG. Depois de algumas horas pensando, ele decidiu o que fazer. Pegou dois pergaminhos e escreveu mensagens diferentes nos dois. Esperou entao Savio entrar no quarto. Quando ele chegou entregou um dos pergaminhos e pediu que lesse. Ao terminar de ler, Sávio abriu um sorriso!

-Finalmente um pouco de ação! Bradou ele...! Agora sim este é o Dannyel que eu conheço.

-Agora deves ir meu amigo, não temos tempo a perder, faça o que tens que fazer.

-Como nos velhos tempos? Sorriu Sávio

-Como nos velhos tempos! Repetiu Dannyel. Boa viagem meu amigo!

-Voltarei a tempo...!

O fiel lacaio saiu do quarto e foi aos seus aposentos arrumar sua mala, antes do sol amanhecer, já estava na estrada.

Ao raiar do sol o mensageiro do rei já estava a espera da resposta, o tocador de flautas entregou o outro pergaminho ao rei, ao receber a resposta o rei muito se alegrou e pediu que o tocador fosse a avisado pelo fim tarde ele deveria comparecer ao castelo para passar o combinado ao noivo e a noiva, uma vez que hoje ele receberia a visita do duque de Von Lichenstein. O tocador recebeu então o recado do rei e se pos a esperar o dia passar.

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