Giullia tinha sido avisada da visita do duque, como uma dama que se arruma para o ultimo passeio no parque, passou o dia se preparando, colocou seus pensamentos e sentimentos de lado e focou no seu destino como princesa, precisava estar linda para agradar o duque. Na hora marcada pelo seu pai, se dirigiu ao salão real e sentou-se a sua direita. Com alguns minutos, um serviçal veio anunciar a chegada do duque de Von Lichestein.
Ele então adentrou no salão real. Cabelos e vestes impecáveis, beleza incomparável, andar esbelto e elegante, gestos finos, olhar de príncipe. Não se podia negar que o duque era impecável. Tinha um ar de leão diante de lebre, de superior. Era realmente um nobre. Cumprimentou primeiro o rei e logo depois a princesa.
-È um prazer conhecer-te Giullia, tua beleza e educação é famosa em todos os reinos.
A princesa lembrou do tocador de flautas, lembrou que ele disse que via além da beleza dela, além dos tratos de nobre. Ela então forçou um sorriso e agradeceu...
-Obrigada, senhor duque. Tive ótimas referencias suas, és um príncipe valoroso, não há dúvidas.
-Farão um belo casal, completou o rei.
Neste momento, o serviçal entra no salão real a avisa o rei da chegada do outro convidado, o rei permite sua entrada. Para surpresa da princesa, o tocador de flautas entra pela porta principal. Ele faz a reverencia real ao rei, e cumprimenta a princesa e o duque(que como ele havia previsto, não olhou em seus olhos).
-Este é Juan, o tocador de flautas. Comunica o rei. Esta é minha filha, a princesa Giullia e este é o seu noivo, o príncipe de Graveyard, o duque de Von Lichestein.
A princesa e o tocador se entreolham, ela não entende o porque do nome Romeu. Acaso ele mentiu para ela sobre seu nome? Achou que fosse morrer com esta dúvida.
-O tocador de flautas teve uma idéia interessantíssima sobre como te apresentar ao reino filha...
-Uma peça, completou o tocador...! Ensaiaremos uma grande peça na qual a princesa poderá atuar de protagonista, o príncipe também se assim desejar. Acredito que ambos receberam educação teatral.
-È uma ótima idéia, comentou o duque. No entanto, não concordo. Não gosto de atuar.
O tocador de flautas já esperava por esta resposta do duque, Lichestein não havia mudado nada, o seu plano estava dando certo.
-Bom senhor duque. Esta é uma ótima forma de mostrar a todos os dotes da princesa, demonstrar o quanto ela é digna e cheia de prendas, conheço muitas pessoas no reino, apesar de minha curta estada aqui e todos são estão curiosos não só para saber da beleza da princesa, mas também para conhecer as suas qualidades. Será uma grande valorização para o futuro rei da terra do SAG, todos irão inveja-lo pela esposa que tens.
-Realmente, não tinha avaliado desta forma. Mas quem então atuará ao lado da princesa?
-Eu mesmo posso escrever a peça e atuar nela, também recrutarei os melhores camponeses para atuar na peça, assim o povo da terra do SAG se sentira valorizado. Iras ter a opinião publica sempre ao seu favor, irão lembrar para sempre desta peça e de como foram importantes no inicio deste novo reinado.
A idéia de ver um plebeu ao lado de sua futura esposa incomodava o duque. Porém ele precisava da confiança da plebe imunda para dominá-los. Resolveu então apoiar a idéia.
-Se todos estão de acordo, disse o rei. Que comece os preparativos para a peça.
-E que seja rápido! Disse o duque. Mal posso esperar para ter a minha bela esposa ao meu lado.
-Bom majestade, gostaria então de combinar os aspectos respectivos a peça em si, figurino, enredo, personagens...
-Não, teatro me da náuseas! Interpelou o duque. Majestade, o que achas de mostrares o reino que irei herdar? Enquanto isso, o nosso amigo tocador combina estes pormenores com minha querida noiva, acredito que a arte não te interesse muito neste momento.
O rei sentiu o toque de ironia nas palavras do duque, ele havia acabado de lembrar que aquilo não passava de um negocio onde o preço era sua filha, engoliu o orgulho e concordou com duque.
-Filha, combine todos os aspectos necessários com Juan, não precisa medir o dinheiro, gaste o que for necessário.
Com estas palavras o rei saiu com o duque e deixou a princesa e o tocador a sós.
-Pronta para fazer da sua vida uma aventura, princesa?
-Aventura? Zombas de mim e do meu destino, “tocador de flautas”.
Proferiu a princesa, com um desdém tão falso quanto ouro de tolo.
- E qual é o destino que tanto ofendo?
-Aquele disseste que estava aberto, mentiroso! Falso! Cínico! Porque me iludistes?
- Não menti, ele continua aberto....
-Não...!!!!!! Ele continua o mesmo! Sabes por que vou me casar? Para salvar a vida de todo! O eu destino sempre foi esse! Viver pela terra do SAG, estava conformada com ele até você aparecer.
-O seu destino continua nas suas mãos, e sim, vamos salvar a terra do SAG. Eu e você...! Juntos!
A princesa não entendeu, o tocador continuou.
-Não me pergunte como, mas conheço o Lichestein e o reino da terra do SAG irá correr perigo nas mãos dele, ele ira transformar tudo que você ama em um mundo frio, sem amor, feito somente para render e guerrear. Ele vai destruir o mundo mágico que é este reino.
Mesmo sem entender, a princesa indagou...
- E como faremos isto?
-Usarei esta peça para ganhar tempo, trarei a presença de seu pai uma pessoa que ele irá escutar e que irá convence-lo a não dar sua mão em casamento ao duque. Esta pessoa ajudará a terra do SAG a combater o reino de Graveyard.
-E quem é este?
-Conheço muitas pessoas, esta em especial não negara um pedido meu. Inclusive ficara muito feliz em saber noticias minhas, embora continue me achando um desajuizado.
-Não sei se devo confiar em ti, não tenho certeza nem do teu nome...!
-O que vale um nome ou titulo de nobreza? Acaso a mais bela flor deixará de ser formosa e perfumada se eu a chamar por outro nome? Te respondo que não. Chames-me do que quiser, eu sou teu tocador de flautas e meu amor por você esta acima de denominações, esta acima do que sou ou do que és. Porque somente através do amor podemos determinar não o que somos, mas o que podemos ser.
Num ímpeto de desejo, a princesa se jogou nos braços do tocador de flautas e o beijou, as lagrimas acariciavam sua face.
-Achei que jamais voltaria a vê-lo, que jamais sonharia novamente.
-Estarei sempre com vce Giullia. “Just like magic”, Always. Agora vamos lá, se afaste, estamos a sós mas ainda estamos no castelo real, não podemos correr este risco. Tenho uma boa noticia...!
-Qual?
-Agora que a proposta foi aceita, ganhei o direito de vê-la todos os dias, para poder ensaiar a peça. Iremos nos ver sempre, com jeitinho arranjaremos uma forma de ficarmos a sós.
A princesa sorriu, era bom poder se sentir viva novamente.
-Falando na peça, do que ela ira falar?
- De um cigano que se apaixona por uma bela mulher, e que através da leitura da mão dela, muda toda sua vida! Ajuda sua amada a salvar sua aldeia e conquistar o amor verdadeiro. A historia parece familiar?
A princesa caiu na gargalhada. Só mesmo o tocador de flautas para faze-la rir naquele dia.
-Devo ir minha princesa, logo seu pai estará de volta. Depois de um rápido e tremulo beijo de despedida, o tocador sussurrou no seu ouvido:
“-Eu não sou ficção, sou realidade, hoje e sempre presente eu seu coração.”
Com estes dizeres, despediu-se e saiu do salão real.
Conforme combinado, no outro dia o tocador estava bem cedo de volta ao castelo real, quando a princesa acordou para tomar o desjejum, ele estava sentado à mesa, junto com o duque e o Rei. Von Lichestein demonstrava ligeiro desconforto com a presença de um plebeu a mesa real, preferiu, no entanto não se manifestar contra, era uma ótima oportunidade para se sentir superior a ele, uma vez que um músico de rua jamais saberia se portar em uma mesa com nobres. Quando a princesa sentou-se, foi servido o café. Todos iniciaram a refeição, menos o tocador.
-O que foi rapaz? Indagou o duque. Nunca viu tanta comida assim? Aposto que aqui tem mais comida do que nas suas ultimas 15 refeições.
-Talvez realmente tenha. Respondeu o tocador. No entanto, possuo o suficiente para sobreviver, nada me falta.
-Entao não se acanhe, inicie sua refeição, não iremos notar seu modos. Lógico, que imperdoável agir como um selvagem em uma mesa real, mas sabemos que não tivestes a educação necessária para tal. Como nobres benevolentes iremos desconsiderar tal ofensa.
-Obrigado, Alteza. Se for dessa forma, não me envergonharei mais.
Porém, para a surpresa de todos, o tocador sabia a seqüência correta dos talheres, sabia o modo mais adequado para se servir do que tinha na mesa, sabia usar o guardanapo, sabia como segurar na taça com suco e na xícara com leite, talvez de forma mais graciosa e fina que o duque. A princesa olhava espantada, mas com um sorriso no rosto, era bom ver o tocador dando uma lição naquele duque cheio de pompa. Von Lichestein não sabia o que dizer, não sabia aonde enfiar seu orgulho. O rei muito admirado, comentou:
-Apesar de ser filho de ciganos, tens uma boa educação.
-A nobreza esta na alma majestade. Não em um titulo. Nas minhas andanças aprendi a honrar uma presença ilustre como a vossa.
-È uma pena que, no entanto, não existam nobres sem títulos. Cutucou o duque.
-È igualmente lastimável que existam títulos entregues a pessoas tão carentes da verdadeira nobreza. O que certamente não é o seu caso, senhor duque de Von Lichestein. Comentou o tocador, em discreto tom irônico.
-Engraçado, sua forma de falar me lembra um velho conhecido...! Comentou o duque, olhando ainda que por cima o tocador pela primeira vez.
-Quem? Interpelou o tocador, suando frio e prometendo a si mesmo que deveria ser mais discreto e não provocar o duque.
-Deixe para lá... Certamente não o conheces. E depois já faz muito tempo, á alguém que conheci na infância.
Mesmo sem saber o motivo, a princesa sentiu que deveria mudar o rumo da conversa.
-Então Pai, não gostaria de saber do que vai se tratar a peça?
-Claro filha! Qual será o enredo tocador de flautas?
-Será a historia de um cigano que conhece uma camponesa, e que através da quiromancia.Ajuda ela a salvar sua aldeia e seu coração.
-Que interessante! Disse o rei. Acredito que o povo da terra do SAG ira se identificar bastante, isso é bom. Não me arrependo de ter pedido sua ajuda, bom Juan.
-Ainda bem não irei participar, completou o duque. Com todo respeito a história do tocador, mas é muito romanticazinha, ainda se fosse uma batalha, mas a história de um cigano com uma camponesa? Coisa de maricas! Acredito que todas as donzelas do reino irão adorar, certamente foi pensando em minha doce esposa que inventastes este enredo não foi “nobre” tocador? A palavra nobre foi proferida com tanto fel, que dava pra sentir a acidez no ar.
-Certamente duque. Estou sendo pago para agradar a princesa não é mesmo?
-És um bom servo então! Muito competente.
O Rei então sugeriu:
-Porque não vamos dar um passeio no jardim real? Tenho alguns assuntos a tratar com o duque e o tocador de flautas deve ter muito assunto com a princesa Giullia também. O que acham?
Todos concordaram. O duque e o rei foram na frente, conversavam sobre política e economia, enquanto isso, o tocador conduzia a princesa com seu braço pelo jardim.
O tocador cantarolava belo jardim real, a princesa não se conteve e disse:
-Eu estou prestes a me casar com alguém que dizes não valer nada, o meu reino vive uma guerra eminente e tu cantas? Nada te preocupas?
O tocador de flautas passou a assobiar... lalalalararalara
-Quão irritante és!(ela teve o ímpeto de chama-lo de leso, mas não estamos no msn)
-Nem vejo motivo para estar preocupado, o tanto te preocupa?
-Como é que vamos ganhar tempo com esta peça, tocador espertalhão?
-Simples, vamos fingir que estamos ensaiando, já falei com alguns amigos camponeses para deixar o fingimento mais real.
-Fingir?
-Exatamente, não haverá peça. Irei impedir seu casamento antes.
-Meu pai quer a peça para daqui a duas semanas, pediu que te avisasse.
-È, duas semanas... acho que é o suficiente!
-E se não for?
-Ai terei que rapta-la!
-Raptar-me?
-È! Tenho tudo planejado. Temos duas opções, ou esta pessoa te salva ou eu te salvo! As duas, serão grandes aventuras!
-Você me salvar? Nanico deste jeito? Você pode ser bom com a musica, com as palavras, mas vai ter que passar pelos guardas reais... duvido muito!
-Queres apostar princesinha do nariz empinando? Ainda sabes muito pouco de mim, tenho inteligência e destreza para enganar todos os guardas do seu reino.
-HA HA HA. Estas palavras me fazem cócegas... Esta apostado! O que iremos apostar?
-Ficaras me devendo um beijo para sempre se eu ganhar, se tu ganhares ficarei eu te devendo um beijo;
-Assim não tem graça, o beijo vai acontecer de qualquer forma!
-Exatamente! \o/(Pq eu não pensei nisso no jogo de war? Este contrato é bem mais interessante não é mesmo leitora?continuemos a historia)
-Mas... mudando de assunto, quando começaremos a “ensaiar”, ó destemido tocador?
-Pedirei um encontro a sós com a princesa hoje a tarde, para repassar o texto, aqui mesmo neste jardim! O que você acha?
-Muito apropriado! O pai e o duque irão passar o dia fora em visitas reais, teremos só a Naninha no meu pé.
-Meus amigos camponeses irão tratar de deixa-la bem ocupada, garanto-lhe!
Então, entre conversas e sorrisos o casal continuou o passeio, esquecendo da seriedade da missão que tinham e do que iriam enfrentar para ficar juntos e salvar a terra do SAG.

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